Vejam:
Um homem corre desesperadamente para um moinho com um objeto na mão pertencente a sua família. Vendo melhor, tal objeto, na verdade, é uma bíblia. Pobre homem. Grande desventura. Começa sua saga. Exegese e hermenêutica agora fazem parte de seu dia-a-dia. Mas quem é esse homem? A quem procura? Por que corre para um moinho e visivelmente abalado?
Kant ignora a sua dor e a historicidade de sua consciência e diz que ele tem que reger-se por uma conduta moral.
Hegel discorda de Kant e diz não poder ignorar a história da formação da consciência sem jamais perguntar-se pelo processo de formação da subjetividade. Segundo ele, o indivíduo é sempre filho de sua época não podendo superar seu tempo. E mais, Hegel usa a dialética do senhor e do escravo para dizer que esse homem que corre precisa encontrar um outro para identificá-lo como sujeito e objeto ao mesmo tempo, pois “a consciência de si é em si e para si quando e porque é em si para Outra”.
Kiekegaard não quer nem saber. Ele diz que, ainda que nosso amigo não saiba racionalizar ou relacionar-se com os mistérios que se apresentam no decorrer da vida, o que se precisa é “dar um salto de fé”.
Jung afirma que a consciência desse sujeito pode ter se confrontado com o inconsciente pessoal ou, ainda, com o inconsciente coletivo.
Nietzsche diz que esse cara está morto, que ele é um fundamentalista e inimigo do futuro.
Marx e Engels dizem que ele é uma vítima, produto de um meio social que escraviza.
Weber fala para cooperarmos com ele, afinal, trata-se de um protestante.
Pannenberg aconselha-o a renunciar-se de si mesmo para firmar-se na coisa ou pessoa que direcionou sua fé.
Erich Fromm diz para que esse homem não tema a não-fé, pois a “fé é a certeza do incerto”.
Paul Tillich arrisca em dizer que nosso personagem foi possuído por algo que o toca incondicionalmente.
Leonardo e Clodovis Boff dizem que esse pobre homem possui as riquezas de Deus.
Querem, pois, saber quem é esse homem? Digo-lhes: É um seminarista. A quem procura? Alguém que lhe auxilie. Mas não encontra, pois todos estão em crises contemporâneas. Por que corre para um moinho? Para pegar uma pedra, pô-la no pescoço e lançar-se nas águas.
Talvez, lhe fora melhor a fé quando leigo, por que não lhe exigia tanto. Não lhe exigia o embate mortal com os acadêmicos teóricos, pois a fé é em si racional e empírica, não havendo meios de desassociar-se dessa dicotomia.
Mas se Martin Luther não tivesse corrido de uma tempestade e feito votos emocionados, nós não estaríamos hoje nesta situação: AUF DER KLO!!!
E ele ainda vem me dizer que preciso ser perseguido e morto para ser um Teólogo!?