GENIPABÚ - NATAL - RN

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Amar...ninguém tem e nem pode ter pensamento mais sublime. (Dostoiévisk)

sexta-feira, 21 de março de 2008

AUF DER KLO

Vejam:

Um homem corre desesperadamente para um moinho com um objeto na mão pertencente a sua família. Vendo melhor, tal objeto, na verdade, é uma bíblia. Pobre homem. Grande desventura. Começa sua saga. Exegese e hermenêutica agora fazem parte de seu dia-a-dia. Mas quem é esse homem? A quem procura? Por que corre para um moinho e visivelmente abalado?

Kant ignora a sua dor e a historicidade de sua consciência e diz que ele tem que reger-se por uma conduta moral.

Hegel discorda de Kant e diz não poder ignorar a história da formação da consciência sem jamais perguntar-se pelo processo de formação da subjetividade. Segundo ele, o indivíduo é sempre filho de sua época não podendo superar seu tempo. E mais, Hegel usa a dialética do senhor e do escravo para dizer que esse homem que corre precisa encontrar um outro para identificá-lo como sujeito e objeto ao mesmo tempo, pois “a consciência de si é em si e para si quando e porque é em si para Outra”.

Kiekegaard não quer nem saber. Ele diz que, ainda que nosso amigo não saiba racionalizar ou relacionar-se com os mistérios que se apresentam no decorrer da vida, o que se precisa é “dar um salto de fé”.

Jung afirma que a consciência desse sujeito pode ter se confrontado com o inconsciente pessoal ou, ainda, com o inconsciente coletivo.

Nietzsche diz que esse cara está morto, que ele é um fundamentalista e inimigo do futuro.

Marx e Engels dizem que ele é uma vítima, produto de um meio social que escraviza.

Weber fala para cooperarmos com ele, afinal, trata-se de um protestante.

Pannenberg aconselha-o a renunciar-se de si mesmo para firmar-se na coisa ou pessoa que direcionou sua fé.

Erich Fromm diz para que esse homem não tema a não-fé, pois a “fé é a certeza do incerto”.

Paul Tillich arrisca em dizer que nosso personagem foi possuído por algo que o toca incondicionalmente.

Leonardo e Clodovis Boff dizem que esse pobre homem possui as riquezas de Deus.

Querem, pois, saber quem é esse homem? Digo-lhes: É um seminarista. A quem procura? Alguém que lhe auxilie. Mas não encontra, pois todos estão em crises contemporâneas. Por que corre para um moinho? Para pegar uma pedra, pô-la no pescoço e lançar-se nas águas.

Talvez, lhe fora melhor a fé quando leigo, por que não lhe exigia tanto. Não lhe exigia o embate mortal com os acadêmicos teóricos, pois a fé é em si racional e empírica, não havendo meios de desassociar-se dessa dicotomia.

Mas se Martin Luther não tivesse corrido de uma tempestade e feito votos emocionados, nós não estaríamos hoje nesta situação: AUF DER KLO!!!

E ele ainda vem me dizer que preciso ser perseguido e morto para ser um Teólogo!?

4 comentários:

Anônimo disse...

Querido, concordo contigo em sua afirmação e interrogação de que precisamos morre ou ser perseguido para ser um teólogo.
Na afirmação: Muitos morreram e depois foram reconhecidos.
Na interrogação: Eu tenho uma resposta: Não há necessidades de morrer ou ser perseguido para ser um teólogo, basta viver.
E quando estamos AUF DER KLO, é que reconhecemos verdadeiramente a soberania de DEUS.
SHALOM ADONAI
Valeu Meu Pastorzão.
Fábio Marçal

Fábio Aguiar disse...

Olá Guttemberg. Finalmente apareci aqui no seu blog.

Bem, concordo dontigo quando afirma que a caminhada do seminarista é de inúmeros embates, em especial no campo das teorias.

Entretanto, creio que estes questionamentos assumem outra importância quando olhamos para o que nos motivou a iniciar esta caminhada pelo caminho da Teologia: A Fé de que Deus deseja nos usar para a sua glória.

Acredito que muitos têm se perdido quando perdem a perspectiva de que é a fé que é o elemento que deu o pontapé inicial em sua caminhada pela teologia.

Quando alguém troca a fé pela razão está colocando em risco a sua caminhada ministerial, pois deixa de lado justamente o elemento que o motivou a se voltar para o ministério.

Ao contrário do que vc afirma, não acho que a fé seja "racional e empírica".

Na verdade sigo a definição do autor de Hebreus, que diz: "a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem".

Assim, a fé não pode ser explicada racionalmente.

Bem é isto. Espero uma visita sua lá no meu blog. Um forte abraço e até segunda,

Fábio Aguiar

Guttemberg Ferreira disse...

Querido, Fábio Aguiar! Não se espera algo que não se pense! A fé pode até não ser explicada racionalmente, mas quando Paulo diz (Rm.12,1) que devemos apresentar a Deus um culto racional, torna-se evidente que a fé também pode ser exercida racionalmente.E, continuando no v.3, ele diz para pensar com moderação segundo a medida da fé concedida por Deus.Agora, quando fala da renovação da mente(v.2), ele diz para que experimentemos a vontade de Deus.Portanto, pensar e experimentar nesse contexto(Rm.12), dá a entender que razão e empirismo contextualizam a fé. Eu concordo com Paulo, mas se vc discorda eu entendo e respeito(rs,rs). Um abraço, meu amigo!

Elias Aguiar disse...

Guttemberg, Graça e Paz.

Parabéns pelo blog!

Fico feliz com este espaço, pois nos permite ir além da sala de aula e das conversas abreviadas pelos curtos intervalos, conhecendo mais dos nossos queridos companheiros de caminhada...

E, fico mais feliz ainda, por perceber que há um profeta de Yahweh no Complexo do Alemão!

Voltando à questão do post, de qual "tipo" de fé vocês estão falando? Ensino, encontro,
encanto ou entrega?

Até à noite...

Abraços,
Elias Aguiar